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sexta-feira, 19 de junho de 2009

É ele pra mim, eu pra ele!


Era você e eu.
Eu olhei, você me olhou. Fiquei sem graça, abaixei a cabeça. Você se aproximou. Minhas mãos esfriavam, já não sabia se eu estava em pé ou sentada. Na cabeça os pensamentos esvaíram. A boca secava. O compasso do coração já não sabia que ordem seguir. No momento a vontade era única: ficar ali. Nada e tudo acontecia. Eram fogos explodindo por dentro, e as luzes coloridas no olhar. Eram flores espalhadas em todas as direções com os mais perfeitos e desconhecidos aromas. Era um esporte radical quando se conquista a liberdade. Era uma aprovação de algo no qual se dedicou muito. Era o presente de Natal que realmente queria. Era a ligação da pessoa querida. A mensagem do amigo distante. Era o banho quente no inverno ou cobertas com chocolate quente. Era a boa companhia em qualquer momento. Era a música predileta na rádio. Era o abraço apertado. Era a saudade de algo desconhecido. Era a coincidência dos gostos. Era poder dormir mais. Era o debate do já esclarecido. Era ajudar sem saber como o fez. Era acordar na hora certa. Era pular sem alguém olhando. Era dar conta de algo que não fazia há anos. Era colocar em prática a cansativa teoria. Era o medo vencido. A ação querida. A meta cumprida. A palavra dita. A renúncia certa. A crise de riso. Era o sorvete em um dia de calor. Era o movimento incompreensível do mar. O pôr e o nascer do mesmo sol.

Era tanta coisa, quando nada acontecia. Era você e eu. Naqueles dias em que se acredita na veracidade dos filmes de romance para escrever o seu. Quando se espera um beijo roubado. Um toque nas mãos. Um olhar com muitas falas. Uma mão quente procurando pela sua. Um abraço com o perfume que não se esqueceu. O toque dos sinos. O frio na barriga. Era você e eu.

No barco, no mar, no cais, no lago, na ponte, no rio, na casa, na areia, na cidade, nos montes, nas depressões, nos passos, nos picos, nos ares, nos olhares. Sinceramente, não me lembro onde e sim, que éramos você e eu....

terça-feira, 26 de maio de 2009

A Ti


Quando mais nova, se me sentia triste, costumava escrever cartas para Deus na certeza de que Ele as leria. Sabe que antes, eu parecia ter muito mais certezas.


Tinha certeza de que meus pais eram sempre corretos. Tinha certeza de que conseguiria tudo aquilo que fizesse. Certeza que um dia tudo daria certo. Certeza de que seria médica. Certeza de cada dia. Certeza de que levantaria no dia seguinte e de que faria tudo aquilo que eu tinha planejado. Certeza de que sairia para lanchar com minhas amigas. Certeza de que encontraria meus amigos no final de semana. Certeza das risadas. Certeza do que me deixava triste. Certeza do que me dava dúvida. Certeza de que emagreceria. Certeza de que diria a alguém que amo. Certeza de que amo. Certeza do que não gosto. Certeza do que faria e do que não faria. Certezas, certezas, certezas...


A única coisa que eu não sabia, era no que se baseavam as minhas certezas, mas elas estavam lá.


Com o tempo comecei a ter muitas dúvidas... Descobri que algumas coisas não eram e outras eram. Vi que, na verdade, nunca tive certeza. Como isso me assustou! Apenas nadava a favor da maré, não conhecia os outros lados da piscina, permanecia sempre na mesma raia.


Aprendi com pessoas como fazer isso ou aquilo, umas me impunham o que era certo e outras o que era errado. Fui moldada durante anos pela sociedade. Eram tantas opiniões que não dava tempo de formular as minhas. Eu seguia o fluxo. Seguia o pré-determinado, pré-estipulado, pré-conceito e estava rumo a vários outros prés que me esperavam. Até que um dia, conheci uma pessoa que me ouviu, pegou meus sonhos já sufocados, meus desejos já rasgados no papel e os colocou a minha frente. Na verdade, ela não disse nada. Ela só me ouviu. E eu, me ouvindo ao contar a ela, vi que tinha muitas coisas dentro de mim e que eu as deixava morrer todos os dias para seguir os prés que o mundo me oferecia. Ela disse para mim palavras únicas, mas o principal era: "você vai escrever/viver sua própria história."


Que lindo! Como foi gostoso ouvir isso. Que alívio não ser o que o outro espera de mim. Que alívio não ter tanto medo de magoar alguém e por isso, acabar magoando. Que alívio entender que um dia fui perdoada e que devo/quero perdoar. Que alívio viver aos poucos, estar na "fast-life", mas não ser parte dela. Que alívio rir sempre sem me preocupar com o que pensam. Que alívio ser eu mesma. Que alívio não ter certeza de todas as coisas....


A única certeza hoje é: Deus vai comigo. Essa realmente é A certeza. A única verdadeira certeza que tive/tenho/terei em toda vida. A certeza mais gostosa, mais confortante, mais abrangente, mais acolhedora, mais amorosa, mais grandiosa, mais amiga, mais expressante, mais comovente, mais forte, mais intensa, mais respeitosa, mais quista...


E só lembrando... Para escrever cartas a Deus, não precisa estar triste, apenas ter a certeza de que Ele as lerá.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Em busca da terra


Há quem diga que o quarto é reflexo de como anda sua vida. O meu estava uma bagunça. Sabe quando não há uma gaveta que salve? Blusas misturadas, pijamas, bolsas, sapatos, livros, provas. Tudo! E vendo isso, resolvi organizar naquela "boa e velha" disposição, que geralmente não temos, para cuidar melhor daquilo que é nosso.
Organizando aqui e ali, tudo melhora. Você passa a saber o que tem, o quanto tem e quando irá acabar. Passa a ver que não precisa de mais coisas coisa nenhuma e ainda, percebe que está passando da hora de se livrar daquela blusa que há uns dois anos não usa, mas quem sabe no próximo semestre usarei.....

Na arrumação de uma gaveta e outra, sentei no chão para organizar as meias e já no final, comecei a colocar algumas nas mãos. (Realmente acontecem coisas estranhas quando estamos sozinhos...). Narrei a história de um RETIRANTE nordestino. Conseguia até imaginavar crianças a minha frente. Imitei o sotaque, cantarolava e dançava com a meia. Era o meu fantoche. Ele era claro, sincero e objetivo. Talvez o que o retirante tinha a dizer estava dentro do meu coração, mas que ou eu não me permitia ou... Ainda não consigo imaginar outra explicação.
Fiquei feliz em ver como ele tinha facilidade para falar. A vida dele era "andar por esse país" anunciando coisas novas. Ele não se prendia a nada, pois o que tinha de mais precioso estava dentro dele. Jesus era seu Salvador. E pronto. Consegue entender que isso basta? Ele conseguia.

Depois de alguns minutos, com toda sua estória contada, tirei a meia. Como foi engraçado guardá-la novamente numa gaveta. Ela não era mais uma meia comum. Era o meu retirante. Era um pedacinho de um sonho sendo guardado. Um pedacinho de algo realmente importante que estava ali, na minha mão, e que eu queria/quero ver crescer.

Bom, já tem um corpo, já tem falas, talvez só lhe falte um sopro de ar em seus pulmões...

sábado, 9 de maio de 2009

Cotidiano


É engraçado pensar como nossos dias são reflexo dos anteriores. Como uma noite mal dormida pode afetar suas atividades mais normais. Como um sorriso mal dado, um abraço não querido, um beijo sem alegria nos transforma de forma imperceptível. Hoje, passei um dia estranho. Não necessariamente ruim. Um dia em que não se entende o que se está vivendo. Daqueles que você olha pela janela só para admirar o tempo, (mesmo que não se lembre se era um dia ensolarado ou nublado) pelo simples fato de querer ver que tem um dia lá fora.
Mesmo que tudo dentro de você te confirme o contrário.

Confusões a parte, descobri a tarde que realmente tinha um dia lá fora. Daqueles que pedem para ser vividos. Daqueles que querem qualquer esforço seu. Parece que as flores se esforçavam mais para desabrochar, as nuvens faziam aqueles desenhos, (que sinceramente, quando crianças parecíamos ter muito mais maturidade para ver), o vento soprava das mais variadas formas, os pássaros pareciam chamar atenção. Mas, com toda sua capacidade de observar o outro, você não vê. Não consegue desfocar daquilo que nunca foi o foco para parar tudo. Para parar de errar ou ainda, para parar de tentar cometer o mesmo errro.

Todos os dias podem ser apenas dias. O natural é que seja assim, mas não é o melhor. Dizer o que faz o meu dia melhor, não vai mudar nada para você. Mas entender o que me faz feliz, me muda, e consequentemente, afeta você. Um bom começo pra mim é quando acordo bem cedo. Abro toda a cortina e olho para o céu, mesmo que ainda não aguente a claridade. Quando o meu primeiro pensamento me leva Àquilo que me deu a razão de viver. Que me deu o fôlego, que me amou e ama, que cuida de mim, que me sustenta. Começando assim, não importa o que aconteça, pois aquele dia, nunca mais será um simples dia.

Depois disso, vem a rotina, que é gostosa. É bom tê-la. É bom sempre ter coisas para fazer, e melhor seria se realmente amássemos tudo que fizéssemos.
Sem muito o que dizer, nela só acontecem mudanças quando decidimos fazer diferente. Sabe quando as pessoas tornam-se pessoas? Quando se cumprimenta? Quando se abre mão de um tempo que, para você, parece ser só seu?
Tudo isso torna um dia, O verdadeiro dia.
Não precisou ser planejado, arquitetado, estruturado. Precisou apenas que você soubesse e estivesse no seu dia.

Hoje, por exemplo, o dia passou, mas mesmo que não seja o começo, ainda posso olhar pela janela e admirar o tempo: uma tranquila noite chuvosa....

Dela e para ela


O bacana de um BLOG é saber que, primeiramente, ele é para "você". É como um daqueles antigos diários de nossas avós, onde o que está ali é inteiramente seu. O seu cantinho, o seu desabafo, os seus pensamentos, as suas felicidades, as angústias e os medos.
É como ter um terapeuta sem receber a conta no final do mês. É como descobrir que, o seu tratamento vem de dentro de você, de suas escolhas em cada dia da sua vida. Mas, convenhamos, quem faz tudo isso não é o blog, e sim, o seu descobrimento. Para fazer um blog, você tem que seguir todos os passos que ele te mostra, agora para mantê-lo, é preciso tirar idéias e fatos de dentro de nós. Fatos que estão dentro de mim que nem mesmo conheço. Situações e pensamentos ainda não descobertos. Aqui vai, além de um blog, o que está dentro de mim....